A educação ainda é um caminho novo pra mim e o ambiente escolar mais ainda. Desde que me aventurei por esse caminho, sigo a minha responsabilidade de estudar, pesquisar, experimentar e trocar com os mais experientes. Como estou nos colégios uma vez por semana, tento participar e ajudar como posso e como a minha limitação me permite na vida dos alunos. Mas, foi na Colônia de Férias que fiz esse ano que pude perceber de verdade, na prática, o que o assunto "inclusão" significa. Para mim ficou muito claro, inclusão não é aceitar o aluno com alguma questão específica no grupo. Inclusão é estar preparada para este aluno e fazer com que ele se sinta feliz e seguro nesse grupo. Isso significa, na maioria dos casos, ter um ambiente adequado, um profissional disponível, auxiliares bem dispostos e pacientes, e por aí vai. Caso algum desses itens não exista, ou não é possível aceitar a criança, ou é preciso sinalizar claramente à família que aquela criança necessita de um acompanhamento a mais... Pronto, problema na certa! Se a Globo fala que ter cidadania é fazer inclusão social, quem é você pra dizer que não pode aceitar? E que família está disposta a ouvir, de um educador, um relatório social desagradável do filho? Forçar a barra nesses casos é o pior caminho e o que mais acontece. Vou dar um exemplo simples e rápido. Estava eu dando aula para crianças do integral (de várias idades) no outro dia, aí chega a professora do maternal (que é uma ótima profissional) com dois pequeninos que nunca me viram antes. Deixou eles na sala e saiu. Os dois, óbvio, abriram o berreiro. Mas, ela não tinha opção, o resto da turma estava lá em cima esperando. Eu, sozinha, inclui um deles. O outro ficou desenhando. Outra historinha aconteceu hoje, num bate-papo após a aula com uma professora que conheci há pouco, mas para quem já tenho muitos elogios. Ela disse "pois é, tá claro que ele tem alguma questão. Fala muito pouco, não interage e acompanha muito pouco o grupo. Infelizmente, a mãe não quer ver. Está preocupada que ele não aprende as vogais. Mas o que são as vogais? Isso é o de menos..."
Sim, o tema está na moda. Virou até enredo de escola de samba este ano. Sim, o tema é sério, há vários artigos acadêmicos muito interessantes sobre ele. Não, nem todas as escolas estão preparadas para isso.
segunda-feira, 26 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
E se a criança quiser interromper a história?
Vai começar o treinamento de 2012 para os novos volutários do projeto Viva e Deixe Viver. Mais um ano que vou preparar as oficinas para os contadores de histórias em formação. Isso me deixa muito feliz. Primeiro, porque a cada ano recebemos mais interessados e segundo, que são interessados mesmo. A oficina é deliciosa, as pessoas perguntam bastante, tem sempre muitas dúvidas, trazem material para discussão... muito legal. Sei que mais uma vez terei que responder a pergunta que me fazem em todos os encontros: E se a criança quiser interromper a história?
Bom, eu vou responder aqui, hoje, contando um episódio que aconteceu comigo na sexta-feira passada. Eu tenho uma turma, na escola que estou com um projeto as sextas, que é bem participativa. Eles não querem só dar boa tarde antes da história, eles sempre querem contar alguma coisa. (Meu projeto existe para incentivar a comunicação e a expressão da garotada, e quando isso acontece desde o ínicio da aula, é bom demais). Mas, como não dá pra ficar só contando novidade, chega um momento que eles precisam se calar para a história do dia começar. Isso até acontece, mas normalmente sou interrompida porque algo na história desperta algum sentimento, alguma memória que eles precisam expor. Eu me preparo pra isso. Dessa vez, foi assim... estava eu contando a história de Tom Jobim, pegando gancho no aniversário da cidade. Quando comecei a falar do Jardim Botânico, onde Tom adorava ficar, uma menina de 4 ou 5 anos começou a narrar, com detalhes, a apreensão de animais silvestres pela polícia federal no sítio de Rogério Andrade. Ela falou da situação em que se encontravam os animais, como a polícia agiu, o aspecto físico do responsável e o que tinha acontecido com ele. Os outros alunos ficaram revoltados! Um sugeriu virar um super herói e prender o homem, o outro sugeriu matá-lo e uma outra sugeriu pegar dois chinelos grandes e pesados para bater nele, assim como os do pai dela... (?)
Bem, daí já dá pra concluir por que a minha intenção é criar uma roda de histórias em que as crianças realmente participem. No meu caso, é muito importante que eles tenham espaço para se expressar. Muitas vezes, a história (que você levou para contar) acaba ficando em segundo plano, mas por um bom motivo. Até porque outra história acaba aparecendo...
Bom, eu vou responder aqui, hoje, contando um episódio que aconteceu comigo na sexta-feira passada. Eu tenho uma turma, na escola que estou com um projeto as sextas, que é bem participativa. Eles não querem só dar boa tarde antes da história, eles sempre querem contar alguma coisa. (Meu projeto existe para incentivar a comunicação e a expressão da garotada, e quando isso acontece desde o ínicio da aula, é bom demais). Mas, como não dá pra ficar só contando novidade, chega um momento que eles precisam se calar para a história do dia começar. Isso até acontece, mas normalmente sou interrompida porque algo na história desperta algum sentimento, alguma memória que eles precisam expor. Eu me preparo pra isso. Dessa vez, foi assim... estava eu contando a história de Tom Jobim, pegando gancho no aniversário da cidade. Quando comecei a falar do Jardim Botânico, onde Tom adorava ficar, uma menina de 4 ou 5 anos começou a narrar, com detalhes, a apreensão de animais silvestres pela polícia federal no sítio de Rogério Andrade. Ela falou da situação em que se encontravam os animais, como a polícia agiu, o aspecto físico do responsável e o que tinha acontecido com ele. Os outros alunos ficaram revoltados! Um sugeriu virar um super herói e prender o homem, o outro sugeriu matá-lo e uma outra sugeriu pegar dois chinelos grandes e pesados para bater nele, assim como os do pai dela... (?)
Bem, daí já dá pra concluir por que a minha intenção é criar uma roda de histórias em que as crianças realmente participem. No meu caso, é muito importante que eles tenham espaço para se expressar. Muitas vezes, a história (que você levou para contar) acaba ficando em segundo plano, mas por um bom motivo. Até porque outra história acaba aparecendo...
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
E o seu filho? Vai fazer o que em janeiro?
Janeiro chegou e o desespero também. Férias é bom, mas criança quer atividade e todo dia em casa não dá, né? Quer uma dica de férias perfeitas? Programe-se! Todo janeiro é igual, mas seu filho muda. O gosto dele também, o tempo de percepção e de concentração nas atividades, os amigos... por isso, o segredo para ter umas férias legais é o mesmo do presente de natal: fique atento ao gosto dele! Se antes de comprar um presente grande e caro ou igual ao do vizinho você pensa na criança e compra o presente que ela realmente gostaria de ganhar, o sucesso é garantido. Com as férias, é exatamente a mesma coisa. Antes de matricular o filhote na colônia de férias do filho da sua amiga, procure o que realmente o agrada. Tem colônia pra todos os gostos e idades. Eu sempre recomendo para os pequenos, aquelas de grupo pequeno com uma proposta bem definida. Os maiores gostam de mais espaço ou de desenho ou de cinema... Tem de tudo, mas é preciso tempo pra procurar. O que não dá é deixar o mês entrar e sair ligando pra deus e o mundo em busca de ajuda.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Alô, você faz animação?
Essa semana recebi uma ligação começando com essa pergunta. Acho ótimo, porque tenho a oportunidade de explicar bem o que é uma roda de histórias. (E quem bem me conhece sabe que devo ter acabado com os créditos da moça do outro lado da linha). Pois, não é sempre ou em qualquer lugar que uma roda de histórias funciona bem. O problema é quando vem, depois de tanta explicação, a pergunta... "mas você não faz um desconto?Afinal de contas, você fica só uma hora com eles, né?" Aí, eu murcho, porque todo meu empenho foi em vão.
O que acontece hoje em dia é que muito pais querem algo que segurem a atenção da criança ao longo de toda festa, como se uma criança pudesse ceder 3 ou 4 horas de sua atenção para algo específico. Engano total. Pode ser a melhor e mais bem equipada animação. Não adianta, tem quem prefira o pula-pula, o cachorro-quente, o pique-pega ou o colo da tia. Mas, aí... vem uma outra ideia que me dá medo. Os pais querem algo que "cuidem" do seu filho para que eles curtam a festa também. Outro engano horrível! O animador que cuida, não é animador. Animar significa dar ânimo a algo. Quando eu conto histórias com o livro, estou dando ânimo, ou seja, animando a leitura. Quando meus alunos falam que um monte de objeto é um barco, eu animo dizendo "ah é? E tá indo pra onde?" (essa eu aprendi essa semana, com a Natalia, no Ateliê - Centro de Desenvolvimento Infantil).
Voltando ao assunto da festa... imagina quanta coisa existe nela além de pula-pula, cachorro-quente, pique-pega e colo da tia. Imagina agora, além disso tudo, uma hora de histórias pra se emocionar, pra curtir juntinho com o filhote, pra rir, pra cantar... é bom demais! Depois, tem o bolo, os docinhos, mais pula-pula, mais pique-pega...
O que acontece hoje em dia é que muito pais querem algo que segurem a atenção da criança ao longo de toda festa, como se uma criança pudesse ceder 3 ou 4 horas de sua atenção para algo específico. Engano total. Pode ser a melhor e mais bem equipada animação. Não adianta, tem quem prefira o pula-pula, o cachorro-quente, o pique-pega ou o colo da tia. Mas, aí... vem uma outra ideia que me dá medo. Os pais querem algo que "cuidem" do seu filho para que eles curtam a festa também. Outro engano horrível! O animador que cuida, não é animador. Animar significa dar ânimo a algo. Quando eu conto histórias com o livro, estou dando ânimo, ou seja, animando a leitura. Quando meus alunos falam que um monte de objeto é um barco, eu animo dizendo "ah é? E tá indo pra onde?" (essa eu aprendi essa semana, com a Natalia, no Ateliê - Centro de Desenvolvimento Infantil).
Voltando ao assunto da festa... imagina quanta coisa existe nela além de pula-pula, cachorro-quente, pique-pega e colo da tia. Imagina agora, além disso tudo, uma hora de histórias pra se emocionar, pra curtir juntinho com o filhote, pra rir, pra cantar... é bom demais! Depois, tem o bolo, os docinhos, mais pula-pula, mais pique-pega...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
O seu filho precisa é de comunicação!
Existem crianças que a gente chama de corporais, existem crianças levadas, crianças desobedientes, crianças mimadas, quietas demais. Isso a gente, como educador, sinaliza o tempo todo. As mais corporais, normalmente, verbalizam pouco; tem pouca ou nenhuma noção de espaço; passam por cima dos amigos, vivem tropeçando, se desequilibrando, caindo por cima dos outros. As crianças levadas e as desobedientes, escutam pouco ou quase nada do comando, estão mais preocupadas em ficar do lado do amigo preferido e imitando ele, que também costuma ser levado e desobediente. As mimadas não deixam você falar, nem ninguém. Não aceitam as regras e estão sempre dizendo que não vão participar da aula ou da brincadeira. As crianças quietas aceitam tudo, pouco participam e ninguém sabe se ela está gostando ou não, se existe algum problema ou não. Hoje, logo na primeira aula, a aluna mais famosa da escola (por ser desobediente) não estava fazendo nada do que eu pedia, ou melhor, não estava ESCUTANDO nada do que eu falava. Eu parei a aula, coloquei os instrumentos no chão, o livro e os bonecos do lado e falei, na sua altura, que ela não poderia pegar nada naquele momento porque a história iria começar. O comando, direto e claro, foi dado só pra ela, não tinha como não compreender. Na segunda aula, aconteceu de uma aluna mimada (no sentido mais amplo da palavra, que tem a ver com excesso de mimo) do ensino funtamental não aceitar as regras decididas pelo grupo. Eu então pedi pra que ela desse uma sugestão, já que nada estava bom. Pronto, foi o suficiente pra ela falar e chegar a conclusão que o que grupo estava decidindo era realmente o melhor. Depois, foi a vez da turma de 5 anos. Outra aluna mimada saiu da roda porque ninguém deixava ela falar. Só que era ela que não deixava ninguém falar. Não conseguia esperar a vez e não aceitava ter que ficar calada para ouvir os amigos. Como eu não dei importância, os companheiros ficaram incomodados com ela fora e me alertaram: "olha lá, ela tá fora da roda porque quer falar". Eu respondi "pra falar é só entrar na roda, vem!". E ela veio. Nas outras turmas, a mesma coisa. Um levado reclamando que queria ficar do lado do outro, eu permiti com a promessa de participação na aula. Deu certo.
O que eu quero dizer com tudo isso é que em cada situação dessas eu olhei no olho. Parei tudo e falei claro com a criança olhando pra ela, dei um tempo pra ela, dei realmente a importância que ela esperava naquele momento. Parece óbvio, mas na rotina de um educador e de uma mãe ou de um pai pode não ser.
A cada dia como profissional e como mãe eu me certifico do valor da comunicação. E quando a gente fala do filho dos outros, alguém sempre pensa que o problema é dos pais. Não! O problema é do nosso tempo, do dia a dia que existe hoje e que nos é imposto. A gente corre tanto que não se dá conta de que uma comunicação direta, uma fala presente e um comando claro faz total diferença no desenvolvimento da criança. Aposte nisso! Dá certo!
O que eu quero dizer com tudo isso é que em cada situação dessas eu olhei no olho. Parei tudo e falei claro com a criança olhando pra ela, dei um tempo pra ela, dei realmente a importância que ela esperava naquele momento. Parece óbvio, mas na rotina de um educador e de uma mãe ou de um pai pode não ser.
A cada dia como profissional e como mãe eu me certifico do valor da comunicação. E quando a gente fala do filho dos outros, alguém sempre pensa que o problema é dos pais. Não! O problema é do nosso tempo, do dia a dia que existe hoje e que nos é imposto. A gente corre tanto que não se dá conta de que uma comunicação direta, uma fala presente e um comando claro faz total diferença no desenvolvimento da criança. Aposte nisso! Dá certo!
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Direto ao coração...
Crescemos demais com as críticas. As críticas bem intencionadas fazem com que a gente reflita, amadureça, tome outras atitudes. Digo isso de carteirinha, porque minha formação como contadora de histórias foi com gente bem mais velha, com anos de estrada, larga experiência pessoal e profissional. As críticas são realmente importantes, agora... os elogios... Ah! Os elogios sinceros vão direto ao coração. E quando são exatamente sobre aquilo que você escolheu pra sua vida, aquilo que faz com amor, com dedicação... nossa! É impossível descrever.
Uma vez, quando eu acabei a roda de histórias, a avó do menino que estava recebendo os amigos chegou pertinho de mim e disse... "posso te dar um abraço? Estou emocionada com o seu trabalho." Pronto. Suficiente pra me encher de alegria e esperaça pro resto da vida. Semana passada um aluno meu, na sua expressão máxima de felicidade disse "vem cá, minha xuxu-pagodeira". Não tenho a menor ideia de onde ele tirou isso, o pagodeira ele explicou que era por causa do pandeiro, mas o resto nem ele sabe. rs. Amei! Outro dia, foi esse email que eu copio aí embaixo. Vocês vão ver que é fofo. Simples e fofo. Que faz qualquer um pulsar de paixão e seguir em frente!
" Oi Giovana, tudo bem?
Uma vez, quando eu acabei a roda de histórias, a avó do menino que estava recebendo os amigos chegou pertinho de mim e disse... "posso te dar um abraço? Estou emocionada com o seu trabalho." Pronto. Suficiente pra me encher de alegria e esperaça pro resto da vida. Semana passada um aluno meu, na sua expressão máxima de felicidade disse "vem cá, minha xuxu-pagodeira". Não tenho a menor ideia de onde ele tirou isso, o pagodeira ele explicou que era por causa do pandeiro, mas o resto nem ele sabe. rs. Amei! Outro dia, foi esse email que eu copio aí embaixo. Vocês vão ver que é fofo. Simples e fofo. Que faz qualquer um pulsar de paixão e seguir em frente!
" Oi Giovana, tudo bem?
Estou escrevendo pra agradecer por domingo, foi ótimo e acho que as crianças adoraram! Várias pessoas vieram elogiar o seu trabalho e pegaram os cartõezinhos que você deixou. Quando eu tiver as fotos da festinha mando umas especiais da rodinha pra você.
Obrigada mesmo pelo lindo trabalho!Até a próxima oportunidade
Um abraço, Katia"
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Histórias: Quanto antes melhor!

Essa semana que passou respondi duas vezes a mesma questão, que vira e mexe aparece: "mas a minha filha só tem três anos (ou dois ou um...), não vai ficar numa Roda de Histórias". Hoje em dia, acredito tanto no que eu faço, minha dedicação é tanta e o resultado surge a cada dia na minha frente que eu já respondo brincando assim: "você que pensa!" (rs).
A primeira mãe, claro, tinha toda a razão de ter dúvidas em contratar uma Roda de Histórias para festa dela, afinal de contas a aniversariante só está completando um aninho. Mas a segunda não, a filha vai fazer três e ela acha que só um mágico pode dar conta.
Não é fácil mesmo prender a atenção de bebês de um e dois anos com histórias e não é essa a minha proposta. As Rodas de Histórias para os pequeninos são bem musicadas, rimadas, com narrativas bem curtas, poesias e intercaladas com apresentação de objetos sonoros, brinquedos, tecidos... eles interagem o tempo todo e podem, claro, levantar, sair, voltar, cantar, pegar as coisas, brincar, gritar, morder... ou seja, não se cobra a atenção deles e sim, a alegria!
Agora, com três anos... a história, literalmente, é outra. É uma fase em que se fala "Era uma vez..." e eles já embarcaram, chegam rapidamente no mundo do faz de conta, gostam de explorar o livro e participam demais. Ainda são muito concretos, seu tempo de percepção não é muito longo, mas como gostam de um livro... e a Roda de Histórias pra essa idade é adorável!
Na verdade, uma coisa é certa: quanto antes começarmos a contar histórias para as crianças, mas elas gostam, procuram, participam, criam em cima, desvendam os problemas com o herói, descobrem e resolvem bem seu lado "lobo mau". Contar histórias nada tem a ver com o saber ler ou escrever. Contar histórias para uma criança é se comunicar com ela. E isso pode, ou melhor, deve ser feito até quando ela está na barriga!
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