segunda-feira, 22 de junho de 2015

Capacitação de Professores 2015


Nos últimos meses, eu fui convidada a organizar três encontros para professores de educação infantil, em três escolas diferentes: Criativa, Amora e Criançartes. Todas tinham uma intenção: capacitar os professores, auxiliares e coordenadores para que o dia a dia com as crianças se tornasse mais proveitoso. O tema principal seria a contação de histórias e eu deveria treinar com os educadores, os recursos do contador de histórias. Não foi só isso que aconteceu, eu transformei então o nosso encontro numa experiência de comunicação. Queria mostrar para eles que, contando histórias, podemos criar laços afetivos que farão uma enorme diferença na relação cotidiana com a turma. E essa relação de segurança e afeto é imprescindível para o desenvolvimento cognitivo e emocional daquelas crianças. 
Na Criativa, o curso foi oferecido para as auxiliares de professores. Foi um sábado inteiro de leitura, estudo, dinâmicas e contação de histórias. Paramos apenas para um almoço delicioso. Foi muito bacana ver a empolgação das educadoras e a participação tão feliz das coordenadoras. No fim, veio a certeza de que podemos ir muito longe com as histórias na relação com as crianças...
Na Amora, o encontro foi pensado para as berçaristas, mas todos os educadores, coordenadores e funcionários foram convidados a participar, o que tornou o curso bem rico e divertido. Falamos muito sobre a importância de começar a contar histórias para os bebês e treinamos bastante os recursos do contador de histórias para que possamos aproveitar cada momento ao lado dos pequeninos, que têm seu tempo de percepção bem reduzido em comparação às crianças maiores. Nosso encontro durou quatro horas, numa deliciosa manhã de sábado.
Na Criançartes, dividimos o encontro em dois dias para atender os educadores da manhã e da tarde. Lá, eles têm esse momento de estudo e troca regularmente e dessa vez foi a minha vez de participar! A ideia era mostrar que podemos criar um ambiente prazeroso para as histórias no meio da nossa rotina corrida de professores de educação infantil. Que é fundamental desacelerar, respeitar o tempo de cada grupo e, principalmente, aproveitar o momento da troca que uma Roda de Histórias proporciona. Tomamos sorvete e conversamos bastante sobre as possibilidades de trabalho para cada faixa etária. 
Adoro fazer esse trabalho e fico muito feliz em saber que a Educação Infantil (assim, com letras maiúsculas!) é levada a sério nesses ambientes educacionais. Que está, definitivamente, se posicionando como uma etapa de desenvolvimento muito importante para a criança e a família. Que venham os próximos encontros! 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Por uma colônia de férias que dure o ano todo...

Foto: Úrsula Santana
Ontem eu encontrei a mãe do menino mais novinho que participou da colônia de férias desse ano (ele também é meu aluno na escola). Ela veio toda contente me contar que ele até hoje fala sobre as atividades que fizemos juntos nas férias e pergunta se eu estarei no parque quando vai lá brincar pela manhã. É uma delícia saber que isso acontece. Aliás, eu tenho a sorte de ver isso se repetindo todo ano. Sinal de que nosso objetivo está sendo alcançado. 

A Colônia de Férias de Histórias, que acontece há cinco anos, foi criada para atender as crianças bem pequenas, de três e quatro anos, que começam a ter férias escolares mas não encontram lugares e atividades adequadas para sua idade em outras colônias. Chegamos a conclusão que um lugar aberto, sem ser um clube, onde todos pudessem se expressar e brincar livremente com segurança seria o ideal. O parque onde ocorre os encontros é perfeito pra gente, temos um chuveiro verde que ajudamos a construir e podemos nos refrescar, temos uma casa para fazer as atividades manuais, temos espaço para o lanche, brinquedos, e uma natureza linda que nos ensina como lidar com o nosso corpo (no calor do chão, nas pedrinhas, nos altos e baixos do terreno) e nos oferece a oportunidade de cuidar e ouvir histórias de forma bem acolhedora. Sempre formamos o grupo com antecedência porque há um enorme planejamento para que tudo corra de forma bem feliz e com segurança. O número de educadores contratados (de acordo com o número de crianças inscritas) e o treinamento deles, a quantidade de material, o tipo de alimento, as atividades... Tudo, absolutamente tudo, é pensado para que seja um período inesquecível. É por isso também que não temos "diária". Além de ter a certeza que um grupo fechado para uma semana ajuda a criança a se sentir melhor, criando vínculos que lhe transmitam segurança. Essas informações são passadas várias vezes, por diferentes meios, bem antes da colônia começar. Mas sempre recebemos pedidos de mães que a empregada faltou, que o filho mais velho ficou doente ou que estava passando e viu a "brincadeira" acontecendo. Não me incomodo de explicar sobre nossa proposta. E explico sempre. Fico triste de não poder ajudar, mas a educação infantil precisa deixar de ser vista apenas como um local de cuidado. Nos projetos de educação infantil também fazemos amplos planejamentos com objetivos concretos. Precisamos adequar as atividades constantemente para respeitar o ritmo da criança e precisamos preservar o grupo, seus desejos e interesses.

Essa é a estrutura que acredito. Fico muito feliz quando termina e vejo, ao longo do ano, o quanto o mês de janeiro foi prazeroso e fortalecedor para aqueles pequeninos. 
Que venha o ano letivo de 2015 porque estamos doidos pra curtir as férias de novo. Pode perguntar pra eles!


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Roda de histórias na escola

Roda de história na escola sempre dá certo, correto? Não.
Ué, mas na escola não tem o professor pra colocar ordem, as crianças não têm a mesma idade e sala de aula não comporta bem todo mundo? Sim. Mas não são essas coisas que fazem uma Roda de Histórias dar certo. Apesar de terem a mesma idade, as crianças são muito diferentes umas das outras,  no tempo de percepção, no prazer em ouvir e acompanhar uma narrativa ou de estar em grupo, no gosto pelo tema abordado, etc. Para que possa dar certo, uma Roda de Histórias precisa ser pensada para todos, a narrativa precisa ser sentida e a comunicação para acontecer precisa de um ambiente acolhedor, que nem sempre é a sala de aula.
O papel do professor na Roda de Histórias é preparando os alunos para aquele momento. Na verdade, esse deveria ser o papel do professor para todos os eventos, né? Ao invés de exigir silêncio e tentar conter os corpos nos gritos e ameaças, o professor precisa explicar, treinar, experimentar esse momento antes com os alunos. É um trabalho a longo prazo, eu admito, mas é assim que deve ser. Caso contrário, diferente do que a maioria pensa, não adianta muita coisa não. Pelo menos para a Roda de História eu tenho certeza que não funciona. Quando as crianças estão tranquilas (e isso tem muito mais a ver com seu interior), quando sentem prazer em estar junto, quando são constantemente ouvidas, conseguem ficar em silêncio, prestam atenção, participam, e muito mais do que isso, vivem com prazer aquela experiência. E não pense você que essa teoria aplica-se somente aos mais velhos. No mês passado eu estive na escola de educação infantil Quintal. Vi uma aula acontecendo na varanda, com uma professora disponível, que tinha materiais bem interessantes e alunos atentos. Minha roda de histórias foi preparada debaixo de uma árvore e ali pude ficar por um longo tempo, inclusive com uma turma de berçário feliz e participativa. Quando eles chegaram para ouvir as histórias de forma calma, cada um no seu ritmo, a professora falou: "lembra que eu falei pra vocês? Então, essa é a Giovana que veio contar histórias pra gente!". Sim, ela falou com a s crianças de um ano e parece que fala sempre. É o que eu digo sobre o poder da comunicação com afeto...
É uma pena ver tanta escola preocupada em agradar os clientes-pais, valorizando o produto ao invés do processo. Nessas escolas, é facil perceber o porquê da Roda de História não ser tão legal. É tanta tarefa a cumprir, tanta obrigação pra dar conta que não dá tempo de ouvir uma história, de ouvir a criança, de deixar ela falar, se expressar, de entender seus desejos e necessidades, de construir uma identidade bacana junto. Não dá tempo! Logo na escola... Onde deveria ser o lugar com todo o tempo do mundo para que a criança se desenvolvesse de forma saudável, pois tudo aquilo ali é construído pra ela. Onde se deveria desacelerar, ir num ritmo contrário ao imposto aí fora. Onde se deveria oferecer exatamente o que não se oferece mais nessa sociedade imediatista e imagética: um tempo adequado a cada um. Para se ouvir histórias, sentir, imaginar, sonhar.
Mas não dá tempo... Que pena!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Roda de Histórias para bebês no CCBB

Há algumas semana atrás, eu e minha filha de seis anos fomos assistir a peça da Luana Piovanni no teatro do Jardim Botânico. O espetáculo era baseado no livro homônimo da Adriana Falcão, "Mania de Explicação", com um texto complexo e músicas de Raul Seixas. Era a história dos desejos e medos de uma menina às vésperas de completar 13 anos. Fiquei preocupada se era adequado à minha pequena, mas como ela ganhou o livro de aniversário e eu conhecia todas as músicas, achei que poderia ser um momento bom e ela curtiria... Porém, chego lá e vejo que a maioria absoluta das crianças na fila era menor de 3 anos. Ao meu lado sentou um bebê e atrás de mim, mais dois. As mães logo se conheceram, conversaram bastante sobre a educação bilingue dos pequenos e fizeram de tudo (até cantar parabéns) para que eles ficassem bem durante a peça mas, claro que não estavam dando a mínima... (e olha que o espetáculo é ma-ra-vi-lho-so!). Isso tudo para falar sobre o quanto fiquei pensando nisso depois. Será que as mães foram assistir a peça e não tinham com quem deixar o filho? Será que era pra ver a Luana Piovanni que é linda? Será que estavam no Jardim Botânico e resolveram entrar lá? Ou será que não acharam nenhum espetáculo para os pequeninos? De verdade, eu, que desde 2007 vivo um projeto pessoal de cultura para esse público específico, fiquei bem preocupada. Pra minha sorte, já que estava atormentada, é que alguns dias depois, fui convidada a participar de um projeto lindo do CCBB que levantava a questão. O título do evento era "A Crianças vai ao Museu". Com alguns debates e bastante atividade para os bem pequenos, o Centro Cultural Banco do Brasil está disposto a abrir as portas e oferecer entretenimento e cultura para crianças e bebês, além de discutir a questão histórica da infância, da acessibilidade, da participação da família no contato das crianças com a arte, da profissionalização da equipe de educação que vai recebê-los, etc. Minha participação é com uma Roda de Histórias para Bebês no sábado, às 10h30. Uma sessão de histórias cheia de elementos e músicas, pensada, estudada e criada especialmente pra eles, que merecem ser respeitados com cultura estruturada pra eles, num espaço acolhedor para recebê-los com carinho, que merecem ser ouvidos mesmo quando não conseguem dizer que querem ir embora porque aquilo ali não é pra eles, que merecem ter um passeio pra ser feliz e não porque as mães têm direito a frequentar esses espaços. Ó, já vou contando que a Roda é inédita e tá linda, cheia de materiais novinhos!

terça-feira, 13 de maio de 2014

A Função dos Contos de Fadas



Cheguei para contar histórias para uma menina que fazia aniversário na escola. Ela e a turma estavam se preparando, enquanto as auxiliares decoravam a festinha. Vi que o tema era "Valente", um longa de animação que conta a história de uma menina bem valente, claro, que luta, monta a cavalo, vai pela floresta, é cheia de atitude e defende sua família. Vi uma outra professora comentando sobre o tema "forte" e aproveitei pra perguntar se a aniversariante era mesmo assim, brava e valente, já sabendo da resposta... "Não, imagina!" respondeu a professora. "A Isabela é um doce, acho que é a mais tímida da sala". Bingo! Deveria ter respondido junto com ela. Eis a função dos contos de fadas: a identificação com o herói, com a superação, com o final feliz conquistado a ferro e fogo. É exatamente o que Isabela quer. Filha mais nova de policiais, Isabela é bem tranquila, meiga, doce. Mas agora, todo mundo já sabe seu desejo de ser Valente. E nem precisa ser, pois é através desse personagem que ela se encoraja e fortalece seus sentimentos. E passa. Daqui a pouco é um novo desejo e um novo conto de fadas pode aparecer como favorito.
É o caso do Frozen, para os mais velhos de 6 e 7 anos. Um conto de fadas sem lobo mau, sem bruxa ou pirata. Um conto de fadas que fala da cumplicidade de duas irmãs, da família, da ganância, do medo...
Sei que tem muita gente por aí que segue a linha do deixa disso, que contos de fadas servem mesmo para alienar. Para essas pessoas, que por algum motivo enrijeceram o coração e esqueceram de quanto a imaginação faz bem para o amadurecimento das crianças, para do desenvolvimento infantil e tantas outras coisas, sugiro uma leitura mais complexa como "A Psicanálise dos Contos de Fadas", do Bruno Bettelhein ou um pouco de Clarisse Pínkola Estés e Jung que falam bastante do simbólico por trás das narrativas. Esses autores podem ajudar um pouquinho a entender, por exemplo (um exemplo clássico), que a mocinha não fica esperando o príncipe encantado, ele é na verdade a parte masculina do seu próprio ser.
É de enlouquecer. E amar! 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Histórias no projeto da escola

Esse ano, minha carga horária na escola onde eu trabalho aumentou. Fui convidada a participar também do projeto pedagógico que é pensado para todas as turmas. Além de muito feliz, preciso confessar que fiquei realizada. Minha função será mais do que trabalhar o lúdico com as crianças, porque isso fazemos junto com as professoras o tempo todo, minha função é "viajar" com eles. Pronto, acho que cheguei ao auge da minha carreira. rs. Consegui um trabalho em que convidar as crianças a curtirem comigo o mundo da imaginação é o que mais queria nessa vida. Falando sério, depois de muitos estudos, sou defensora e tenho total certeza de que na educação infantil, o lúdico é obrigatório. Na verdade, acho que é a única linguagem que eles entendem. O meu método de aplicação do lúdico é através das histórias, com musicalização e artes, o que eu chamo de linguagens integradas. Sabe-se que o aprendizado nessa faixa etária é fisiológico, deve ser sentido no corpo, experimentado. Mas, para funcionar, deve estar associado ao respeito. A criança pode falar e deve ser escutada. A criança deve ser exigida dentro daquilo que pode atender. As regras são claras e as crianças participam ativamente na criação delas. Agora, o segredo para que dê certo todo esse percurso: levar o lúdico a sério. Os educadores muitas vezes acham que isso é um antagonismo. Ledo engano. Esse é o segredo!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um (novo) conceito de festa infantil

Decidimos fazer a festa da Maria Flor esse ano no segundo fim de semana de fevereiro, quando a turma dela já estivesse de volta à escola. Isso seria quase um mês depois do aniversário dela. Nenhum problema, até porque o que ela pediu foi uma discoteca para os amigos. Outra exigência era que a festa fosse cheia de amor, com muitos corações e estrelas... O que eu fiz? Ouvi tudo com atenção e tentei atendê-la em seu desejo. O moço que foi encher os balões, não entendeu bem e me perguntou duas vezes se escolhi esse tema porque não estava encontrando algum outro. As pessoas chegavam na festa e me cumprimentavam pela criatividade, mas eu não tinha feito nada demais. Quem não entendia mesmo, ficava pedindo brindes (coisa que quem me conhece sabe que brinde de festa (pra mim) é pra curtir na festa. Na festa de príncipes e princesas dos 3 anos, as crianças brincaram com a fantasia e com o cavalo de pau; na festa de 4, com o chapéu do Peter Pan; na festa de 5, usaram os chinelos da Barbie Vida de Sereia, e por aí vai...). O fato é que todo ano é assim, e andei pensando nisso... eu e minha equipe de produção (que cada ano aumenta mais) temos uma filosofia de vida que também se aplica à festa de aniversário da minha filha: estar realmente presente naquilo que nos comprometemos. E quando isso acontece, o resultado é... AMOR. Portanto, o que todo mundo pôde ver na festinha de maricota, é a mais real demonstração de amor. Só isso. Como disse Leonardo Boff, "A ternura pode e deve conviver com o extremo empenho por uma causa... A ternura inclui a criatividade e a autorrealização da pessoa junto e através da pessoa amada.". Interrompemos nossa rotina, que não é fácil (pois na equipe de produção há médicas, psicóloga, contadora de histórias e educadora, vendedora, empresario, etc.) e nos dedicamos a atender o desejo de uma criança. O primeiro passo, parece óbvio, mas é muito raro e importante: ouvir a criança. O segundo passo, como não somos ricos, é ser criativo, e aí cada um colabora como pode. O terceiro passo é correr atrás e se dedicar. O quarto é o mais legal de todos... aproveitar cada momento, cada troca de emails, cada momento de encontro quando vamos uma na casa da outra pegar coisas emprestadas, quando viramos noite colando, enrolando docinhos, cada ida ao Saara... Agora, vou te contar uma coisa, ver a carinha dela se emocionando com o salão pronto compensa cada centavo gasto, cada minuto de trabalho, cada segundo sem dormir. E olha, essa filosofia é milagrosa, mas não pode ser distorcida, ou seja, comprar pronto não vale; pagar tudo caro do bom e do melhor sem se envolver, não adianta nada; pagar gente pra fazer, também não; casa de festas faz efeito contrário.
Aí vão os contatos dos que entendem muito bem essa filosofia de vida, valorizam igual, por isso prestam os melhores serviços do mundo:
Convite - Carol (contato@bonequinhosdepalito.com.br) 
DJ - Adriano Lobo (99139-7455)
Docinhos - Ana Carolina (99110-3959)
Bolo e biscoitos - Mariana Meirelles (98527-1695)
Buffet - Gilvan Azevedo (98897-2756)

P.S.: A foto aí foi feita no momento que ela entrou para ver o salão, antes dos convidados chegarem. O DJ colocou uma das músicas que ela pediu e Maria se acabou de dançar (podem ver que até um pé de chinelo ficou pelo caminho). A madrinha e a tia se juntaram na dança e o pai se emocionou. Tudo sem nenhum combinado. Isso normalmente acontece nesse tipo de filosofia, pela presença e sensibilidade...  

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Colônia de Férias: Manual de Uso


Estamos caminhando para a última semana da colônia de férias e ainda temos muito o que lembrar... aliás, os lembretes são sempre úteis e necessários. Eu, como mãe, por exemplo, adoro!
Para começar, é bom lembrar que a nossa colônia de férias é muito específica e um pouco diferente das outras do nosso bairro. Ela é criada, pensada e preparada para os pequeninos de 3 e 4 anos. Claro, que os mais velhos que estão acostumados com o trabalho são sempre bem-vindos, e adoram. Mas nosso ritmo prioriza os menores. Nosso grupo é pequeno, nossas atividades são dirigidas, nossa liberdade é monitorada, nossos educadores estão acostumados com essa faixa etária, nosso objetivo é a autonomia e nosso recurso é o prazer. Esse público, ao meu ver, nos exige um movimento muito particular, uma atenção maior e um material específico de trabalho. Com isso, algumas crianças, que não estão nessa faixa etária, mas que necessitam desse mesmo movimento, dessa mesma atenção e que curte esse material, acaba ficando bem com a gente também. Esse ano, tivemos uma amiguinha que estava aguardando a chegada da irmã, que ainda estava na barriga da mãe. Resistiu nossa aproximação, nosso lanche e nosso banho de mangueira... mas essa menina tem pais parceiros, daqueles sensíveis, que entendem e não desistem. E a nossa colônia tem crianças parceiras, sensíveis e que não desistem. Sorte da menina! Na última semana éramos as melhores amigas, ela virou minha ajudante e curtia todas as atividades da sua maneira, porque foi respeitada.
Álias, esse ano tivemos 3 crianças que virarão irmãos mais velhos em breve. Os 3 com pais parceiros. Um não quis ficar, porque precisava ficar do ladinho da mãe. E ficou. A outra precisava conversar comigo o tempo todo, e conversamos, e ela amou estar na colônia.
Seguindo nosso Manual de Uso da colônia, sugerimos também que as mochilas, as toalhas e as roupas de banho não sejam trocadas com frequência. Isso facilita na hora da gente guardar na mochila das crianças.
E se os pequenos querem levar brinquedos pra colônia, ótimo. Mas lembrem a eles que devem cuidar e levar de volta pra casa. É importante que essa responsabilidade seja dividida com as crianças, até porque eles podem dar conta e quando conseguem, é sensacional! A autonomia é construída assim, de pouquinho em pouquinho, todos os dias, todas as horas! Inclusive nas férias!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Férias de pés descalços e joelhos ralados

O prazer de pisar no chão cheio de areia e pedrinhas não dá pra descrever aqui. Tem que sentir. E é isso que estamos fazendo o tempo todo na colônia de férias, experimentando sensações novas! Às vezes difíceis, mais incômodas... aí aprendemos a desviar, a andar com mais cuidado... E não é assim que tem que ser? O legal é que temos tempo e cuidado para isso! 
Tem horas que dá vontade de correr e as pedrinhas atrapalham, não tem jeito. Tem tropeço e tombo, mas quem disse que esse ano eles querem parar para colocar remedinho e band-aid colorido de personagem? Levanta e vai de novo, porque o que nos motiva é o prazer de viver cada momento!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Colônia de Férias de Histórias

Começou o mês mais lindo do ano... Além de ser o mês do aniversário da minha filhota, é o mês de férias! Há alguns anos eu coordeno a colônia de férias para escola que trabalho. Como já falei por aqui, a escola é especial de verdade: num casarão, as crianças brincam, aprendem a ser autônomas e são respeitadas. Os projetos são bem bacanas, as festas são coerentes aos projetos e eu morro de orgulho de fazer parte disso tudo. Nas férias, procuro seguir a mesma linguagem que utilizo ao longo do ano. Mas, nas férias tudo tem um sabor especial. Nosso momento de convivência (meu com eles) é maior, nosso espaço é um parque e nosso material é o mais diferente possível. As histórias abrem caminho para as atividades, que têm o objetivo de fazê-los experimentar sensações e sentimentos. É onde eu coloco em prática, com mais expressividade, tudo o que acredito e tenho como filosofia no meu trabalho em desenvolvimento infantil. Trocamos emoções através das histórias, experimentamos sensações através dos materiais como gesso, argila, tinta, cola, gelatina, farinha, plástico bolha, etc. e reconhecemos sentimentos ouvindo, falando, pisando nas pedrinhas do chão sem sapato, esperando a vez, batendo um bolo. A nossa maior particularidade é fazer isso tudo pensando nos pequeninos, nosso grande público. Para isso, conto com profissionais que estão acostumados a trabalhar com a primeira infância, atentos, cuidadosos e ajustados ao ritmo dos menores. Agora preciso ir, porque tem muito trabalho pela frente. Hoje foi só o primeiro dia!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Contar histórias quando te falta um pedaço...

Há exatamente um ano eu recebi a notícia de que minha mãe ia morrer. Na verdade, a notícia não foi bem assim, foi fechado o diagnóstico de uma doença grave já com complicações. Mas eu entendi que minha mãe ia morrer em breve. Era um pouco estranha aquela sensação porque minha mãe continuava vivinha ali do meu lado. O tempo foi passando e ela começou a não se sentir mais tão viva e, apesar do mal estar que esse assunto me causava antes disso tudo acontecer, eu sentia que era preciso manter a vida ali naquele lugar. Na minha carreira, eu estava mais viva do que nunca: trabalhando em quatro escolas, dois centros de desenvolvimento infantil, começando novos projetos, contando histórias todos os dias da semana e organizando uma colônia de férias linda. Minha filha e meu sobrinho, às vésperas do Natal, em pleno verão, também estavam mais vivos do que nunca. Mas, apesar disso tudo, parte de mim estava morrendo também. Por isso, desacelerei.
A Roda de Histórias, como falo em todas as oficinas, todos os cursos e todos os eventos que participo, exige a nossa presença. Contando histórias, a gente troca olhares e emoções.Continuei "trocando" por alguns meses enquanto dava conta. Depois, parei mesmo de trocar para deixar ali, pra ela, tudo o que ainda restava de mais vivo em mim. Essa foi a opção minha e da minha irmã (e do meu marido e do meu cunhado). Vivemos ali tudo o que podíamos viver, porque era tudo o que podíamos fazer. No dia em que faria a minha primeira apresentação, num evento que fui convidada por um amigo muito querido e admirado (o Cadu, dos Tapetes Contadores de Histórias), recebo a ligação bem cedinho da minha irmã, contando que minha mãe (e parte de mim) tinha morrido. Não fiz a apresentação, assim como não fiz outras que se seguiram. Voltei aos poucos a trocar com a vida lá fora e aos poucos a vida voltou a pulsar aqui dentro. Desde agosto, quando comecei a me sentir mais disposta e me reconhecer como essa nova contadora de histórias, meu trabalho deu um novo salto e encheu de alegria esse coração que ainda bate de mansinho... Ah, uma coisa que esqueci de falar foi que o amor também faz a Roda de Histórias "girar" e talvez seja por causa disso que ela nunca parou pra mim, porque o que mais tenho em mim é amor. É nele que acredito. É ele que completa tudo quando eu mais me sinto em pedacinhos. É ele minha maior herança. E é justamente o amor que me sobra e transborda na hora de contar histórias.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vou ali contar a história da Rapunzel e já volto

No início da noite eu recebo a ligação do meu marido: "já estamos indo para a natação e você onde está?" "eu tô andando aqui no meio do Largo dos Leões procurando uma rua." "Ué, mais você não tem que ir pro Largo do Machado?" Respondo eu, já rindo: "Sim, às sete. Ainda são seis horas e eu vim aqui rapidinho contar uma história". Depois de um sonoro "garotaaaa, tá maluca? Como você consegue inventar mais coisa para fazer nesse dia?" eu preciso confessar que não resisto a um pedido para contar uma historinha... Dessa vez foi da professora de balé da minha filha. Esse ano a apresentação de fim de ano tem como tema "contos de fadas" e hoje era uma aula especial de criação de cenário com alunas de outra turma. Ela pediu pra eu contar a história da Rapunzel e eu fui, claro. Não tinha a menor ideia de quem encontraria por lá, só sabia que eram meninas de 6 anos, que já conheciam a conto. No caminho, fiquei então pensando como deixar o clássico com a minha cara... e coloquei uma musiquinha de Luiz Gonzaga ao som do triângulo. Foi muito bacana e as mini bailarinas gostaram. Isso tudo pra dizer que pra mim, contar histórias é tornar um momento especial, é trocar emoção e sentimentos, é olhar no olho e conhecer a fundo cada ouvinte que participa mesmo que por pequenos minutos, é ver avó se emocionar, é ver filha no colo de mãe que canta junto, é ver professora sorrindo de amor. Como posso negar uma coisa dessas? Como? Me diz!



 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Uma História de Balé

Quando minha filha de cinco anos resolveu que queria fazer balé, lá fui eu atrás de um balé que combinasse com a gente (assim como qualquer outra coisa que ela inventa experimentar). E para a minha surpresa, encontrei um balé que conta histórias! Isso mesmo. Nesse encontro, além de dançar, é claro, as meninas desenham, colam adesivos, opinam (porque são ouvidas) e escutam histórias. O tema da apresentação desse ano da turma da minha filha é Rapunzel. É claro que elas lembram logo do filme "Enrolados" da Disney, que pouco se aproxima do conto original recolhido pelos irmãos Grimm. Portanto, a mãe aqui viu logo uma oportunidade de contar o clássico em casa. A propósito, você sabia que, na história original, a mãe da Rapunzel fica com vontade de comer rapôncios do jardim da casa da vizinha? Vale uma pesquisa! Tem a história bem contadinha (apesar de já terem substituídos os rapôncios) nesse endereço: http://www.grimmstories.com/pt/grimm_contos/rapunzel.
Ah, e quem quiser saber mais sobre a aula de balé mágica, tá aqui ó: http://baledavila.blogspot.com.br/

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Roda de Histórias no Parque Lage

E assim começou meu fim de semana de trabalho intenso... comemorando dois anos do Ateliê - Centro de Desenvolvimento Infantil. Um lugar delicioso de trabalhar, com espaço para psicomotricidade, histórias, músicas e experimentação sensorial. Para celebrar a data, fizemos um piquenique com Roda de Histórias e oficinas no platô do Parque Lage. É o terceiro fim de semana seguido que estou por ali atuando e adoro... as Rodas nesses lugares sempre dão certo. No mesmo dia, estive na Barra, numa festa-carinho dessas feitas por mãe, sabe? Parece que a onda de amor contagia os convidados porque em festas desse tipo a Roda de História também costuma ser muito harmônica. Domingo foi dia de café da manhã de um garotinho de dois anos, super participativo, e de pais vibrantes. Pra terminar o dia, dois anos de uma menina linda, filha de uma amiga querida que comemora sempre na casa da avó. Nem preciso dizer o quanto foi mágico... Agora, o que eu queria mesmo contar é que no Parque Lage, a Roda estava inserida num evento grande. O que a torna bem especial. São muitas crianças diferentes, são faixas etárias diferentes, muitas famílias também diferentes... isso exige de mim um malabarismo incrível. No início de toda Roda eu explico o que vai acontecer e durante o encontro, através da minha movimentação, os pais que estão participando vão entendendo o que virá. O problema é que nem sempre os pais (ou avós, os babás, etc) estão disponíveis. Colocam a criança sentada ou mal posicionada e vão conversar (ou comer, ou beber, etc). Uma pena... porque Roda de Histórias não é apenas uma atividade recreativa, ela é encontro, é troca de sentimentos e emoção, é um momento em grupo e tem regras para que seja realmente prazerosa. E se não há acolhimento ou um incentivo ali do lado, daquele que se tem amor e intimidade, nem sempre é fácil ficar por ali, entender as regras muito menos. E o passeio, que podia ser tão rico em amadurecimento e autonomia para os pequenos, fica sendo mesmo só um passeio...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Uma Comunicóloga na Sala de Aula

"Ah... então você trabalha com crianças... é professora?"
Essa é a pergunta que mais costumo responder hoje em dia. E realmente, é difícil entender o que uma comunicóloga faz dentro da sala de aula. Bem, eu sempre achei que a comunicação caminha junto com a educação, no que diz respeito ao trabalho com criança. Desde que comecei meus projetos em comunicação, trabalhando em rádio, eram as crianças o público que mais me atraía. Até que resolvi fazer o contrário, estudar educação para então favorecer a comunicação dos pequeninos... e são vários caminhos para isso: as histórias, a música, a arte, a experimentação.
Essa semana, lendo a matéria de capa da Revista Crescer, que fala sobre "birra", quase morri de emoção! Na lista que eles fizeram e denominaram como "Receita Antimanha" quase todas (se não todas indiretamente) as dicas para evitar a raiva das crianças têm a ver com a comunicação, o diálogo e a verbalização. É exatamente nisso que eu acredito. É isso que priorizo na minha relação com elas, que vai desde o primeiro olhar, até a despedida, passando pelo momento da história, da canção e da criação.
Há pouco tempo atrás, estava eu numa pracinha para uma Roda de História, observando as crianças que certamente iriam participar. Aproveito esse momento para escutar os nomes, para perceber o comportamento dos pais e a disposição corporal de cada um (meu trabalho começa bem antes da Roda! rs). Havia por ali um menino que fazia birras com os amigos, tinha pais aparentemente "desconfortáveis" com o local ou com o comportamento do menino e vestia um macacão desproporcional à sua fase de desenvolvimento (não disse idade!). Esse mesmo menino na hora da Roda de Histórias foi colocado (não percebi por quem) em um local muito diferente de todas as outras crianças que já tinham sido acomodadas no tecido. Ele ficou colado a mim e aos materiais e apesar das explicações (regras que explico no início do encontro) não deu a menor bola. Ele não dar a menor bola é o de menos, mas os pais também não deram, e isso pra mim é grave. Ele tirou aos berros todos os materiais da mala, quando as outras crianças se aproximavam ele chorava mais alto, gritando que era tudo dele ali. Só ficava um pouquinho mais calmo quando eu cantava ou narrava olhando pra ele. Como já estou acostumada e me preparo diariamente para esses encontros, sabia que uma hora ele seria tirado dali, não porque tirava a atenção dos amigos, mas porque era fuzilado pelos olhares reprovadores dos outros pais. Foi o que aconteceu. O menino, coitado, foi retirado e a Roda seguiu. O que deveria ser um caos, acabou se transformando num encontro em que mais recebi elogios e distribuí contatos. E eu não fiz nada além do meu papel... que era me colocar à disposição daqueles pequeninos. Agora, aquele menino, aqueles pais, todo aquele desconforto ficaram na minha cabeça, reforçando a ideia de que com um pouquinho de comunicação eficaz e entendimento tudo estaria resolvido...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O reencontro após a Roda de Histórias

Sábado passado comemoramos o Dia da Família Ueriri com duas Rodas de Histórias para os pequenos dessa escola tão bacana. A primeira foi para os bebês da creche e a segunda, para a escola. O encontro foi no Parque Lage, portanto nem preciso dizer que foi tudo lindo, né? Mas, o mais legal é rever as crianças na sala de aula depois de um momento de histórias desse. É uma satisfação tão grande esse reencontro, cheio de beijos, abraços e uma disputa pra sentar mais perto. Uns falam o quanto gostaram das histórias, outros se desculpam por não ter ficado o tempo todo na roda e outros ainda lembram de encontros mais antigos... Isso tudo acontece porque uma Roda de Histórias é um momento de partilha em grupo, onde trocamos de verdade emoções, olhares e até angústias. Dividimos sentimentos e isso faz com que nos conheçamos mais. Aliás, é mais que isso... é como se tivessemos, a partir daquele instante, um segredo em comum que só as histórias podem mostrar. E o melhor de tudo é o que acontece depois: eles querem mais e mais histórias!   

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Por que tem Rodas de Histórias que dão tão certo, hein?

Tenho alguns truques para que a Roda de Histórias dê certo, confesso. Criar um ambiente tranquilo, levar materiais e narrativas adequadas à faixa etária, olhar no olho, cantar (e mais alguns que eu prometo dizer na próxima oficina que vai acontecer em setembro!). Mas, o mais importante de todos eles eu digo sem ter a menor dúvida: o que faz uma Roda de Histórias dar certo é a presença verdadeira dos ouvintes. Não adianta estar ali sem prestar atenção, sem se deixar levar. Participar de um encontro de histórias é partilhar em grupo, trocar emoções, vibrar, sentir. 

Aí, vem a grande questão: Roda de Histórias em festas de aniversário dá certo? Depende. O local influencia bastante. Mas a presença dos adultos, muito mais. Ultimamente, fiz umas festas bem marcantes. Uma foi do João, de 2 anos, na sala da casa da avó, que pediu para esperar o avô chegar para começar as histórias (a família inteira participou). A outra, foi da Alice, de 1 ano, no Quintal Buffet Infantil (que lugar bom pra fazer Roda de História!). Entre mamadas e risadas, as mães cantaram o tempo todo! Teve também a do Tomás, de 2 anos, que adora passarinhos e adivinha... foi no Jardim Botânico, aquele lugar mágico. E a do Otto, que realmente ficou marcada no meu coração. A festa foi no Bichinho do Mato, um lugar lindo em Vargem Grande, com muito espaço e cheio de atrações bacanas e gostosas pras crianças. A Roda de Histórias ficou guardada pro final, antes do parabéns. Otto, de 2 anos, estava eufórico, participou intensamente de todo o encontro, com sua família vibrando atrás a cada música, cada reação do pequeno e cada fim de conto. Ao me contratar, a mãe do Otto perguntou se a irmã dele, de 8 anos, poderia contar uma história também, que ele adorava e tal. Achei ótimo e deixei o grande momento pro final. E olha... a carinha dele, da família, dos amigos e a vibração da Catherina de participar de tudo aquilo foram inesquecíveis. 
Olha só pra foto e diga se eu estou mentindo!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Desejo de comunicação

Escolher fazer Rodas de Histórias veio do meu desejo de comunicação, mas o que me moveu para que isso fosse adiante de verdade foi o desejo das crianças de se comunicarem. Sim, quando eu promovo uma Roda de Histórias eu pretendo sempre também promover a comunicação de cada um ali. Através da palavra, da emoção ou do gesto da criança. Porque ainda que eu peça silêncio, a criança vai se comunicar e se eu não perceber ou não corresponder corro o risco de perder o que ela tem a dizer. E que normalmente é muito importante. Estou aprendendo a cada dia que a criança tem muito a dizer o tempo todo, ou seja, ela se expressa brincando, brigando, se movimentando, quieta ou calada. Se ela não é correspondida, a comunicação não se completa e ela busca uma nova forma de expressão ou desiste. O mais triste é que nem sempre ela tem o tempo necessário para se expressar e estabelecer uma comunicação, porque às vezes ela se expressa de uma forma não muito aceita e é afastada do grupo, punida ou tolida. Eu vejo isso acontecer diariamente no ambiente escolar, por exemplo. Essa sensação de prazer que a criança busca tentando estabelecer uma comunicação verbal, pra mim, é a mesma que ela procura desde que nasce, através do não-verbal, das ações que visam a resposta da mãe. Quando a resposta demora a acontecer, o bebê estabelece mecanismos, ou seja, novas ações para o mesmo fim. Agora, se a resposta nunca ou quase nunca aparece, as ações vão se transformando em angústias que geram novas ações descontroladas e muitas vezes incompreendidas. Então, fica meu apelo: não deixe que ela desista.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Roda de Histórias para Bebês?

Quem foi que disse que bebês não podem ouvir histórias? Como já escrevi aqui antes, eu acredito que eles podem e devem ouvir histórias desde a barriga. Mas é claro que existem algumas dicas para que dê certo. Eu lembro que quando a minha filha era bem bebezinha, o pediatra dela que é muito bacana, me perguntou na final da consulta se eu tinha algo a "reclamar" da Maria Flor. Antes que eu falasse qualquer coisa, ele alertou: "Antes de você responder, vale lembrar que ela é bebê e bebê não gosta, por exemplo, de ir pra barzinho tomar chopp com amigos e nem assistir uma missa inteira.". Ou seja, esse tipo de reclamação não vale. A mesma ideia segue para a contação de histórias. Escuto com frequência: "ah, meu filho não fica parado" ou então "meu filho só gosta de música", ou ainda "ih, ele destroi todos os livros...". Claro, ele é bebê! Portanto, Roda de Histórias para Bebês soa estranho mesmo porque para que ela seja de verdade, tem que ser muiiiiito bem pensada e planejada. Com narrativas bem curtinhas, poesias, tudo muito rimado, com materiais próprios para os bebês mexerem, com livros adequados para que eles manipulem e com muita, mas muita música!
Ah, e só mais uma e importante dica: A presença de um responsável carinhoso e paciente é imprescindível para o sucesso do encontro. E sucesso nesse caso significa alegria. Se esses detalhes forem levados em conta, no final, os comentário mudam! "Nossa, ele adorou. Impressionante!".
*Esse mês tenho alguns bebês me esperando pra contar histórias: A primeira é a Luiza, que vai fazer 2 anos e adora histórias de lobo mau.Aguardem as fotos!

domingo, 13 de maio de 2012

Roda de Histórias no Quintal!

Poucas casas de festas são acolhedoras e oferecem uma festa tranquila para os convidados e as crianças. São nessas casas que uma Roda de Histórias funciona bem. Ontem foi dia de contar histórias na Quintal Buffet Infantil, que sou fã (http://www.quintaleventos.com.br/). Infelizmente, algo muito triste aconteceu minutos antes de eu entrar na casa. Parei o carro para pedir informação ao segurança da casa e um homem, no carro de trás, ficou extremamente alterado, xingou, gritou e ameaçou sair do carro. Isso porque a minha parada não durou 20 segundos. Além do mais, havia uma senhora no carro à minha frente tirando um bebê da cadeirinha. Depois que andei com o carro, o trânsito parou de novo 5 metros a frente. Ou seja, a minha parada realmente em nada atrapalhou a vida dessa pessoa grosseira que tristemente cruzou o meu caminho. Bom, eu trabalho sorrindo, sou intensa no que faço e me entrego numa contação de histórias, fiquei bem preocupada com isso. Entrei, ainda nervosa, tomei um copo de água, fui ao banheiro lavar o rosto e pedi forças para começar. Parece que deu certo, uma menina chamada Clarisse, de nove anos, sentou ao meu lado pra ajudar. Detalhe, a roda era para os pequeninos e, normalmente, os mais velhos ficam pouco tempo comigo. Dessa vez foi diferente, eles até mudavam de lugar mas os olhos ficavam grudadinhos nas histórias... As pessoas iam chegando na festa e sentavam, a aniversariante mamava e me olhava de rabo de olho e quando a música era interessante pra ela, parava e sorria. Nunca recebi tantos elogios numa única festa, nunca entreguei tantos cartões e nunca tive tanta certeza de que as pessoas boas, de boas intenções, que estão aqui pra doar amor são protegidas!